WhatsApp vai começar a cobrar por mensagens enviadas no aplicativo

A partir de agora, enviar mensagens pelo WhatsApp no Brasil deixará de ser totalmente gratuito. A Meta, empresa dona do aplicativo, implementou um novo modelo de cobrança que afeta diretamente os usuários brasileiros — mas não da forma que você está imaginando.

Entenda o que muda, quem será cobrado e como isso impacta o seu dia a dia no aplicativo mais usado do país.

Quem realmente será cobrado?

Diferentemente dos boatos que circularam nos últimos anos, a cobrança não incidirá sobre conversas entre amigos e familiares. O usuário comum continuará enviando mensagens, fotos, áudios e vídeos gratuitamente para seus contatos.

A taxa será aplicada exclusivamente sobre mensagens trocadas com chatbots de inteligência artificial de terceiros que operam na plataforma, como ChatGPT, Copilot (Microsoft), Zapia e Luzia. Os valores variam de R$ 0,02 a R$ 0,33 por mensagem, dependendo do volume.

O papel do Cade na decisão

A implementação da cobrança é consequência direta de uma decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Na última quarta-feira (4), os conselheiros rejeitaram por unanimidade um recurso da Meta que tentava impedir a presença de chatbots concorrentes no WhatsApp.

O órgão regulador entendeu que vetar esses serviços prejudicaria a concorrência, já que o Meta AI (assistente da própria empresa) se tornaria a única opção disponível. A resposta da Meta foi imediata: liberou os chatbots, mas passou a cobrar por cada mensagem enviada por eles.

“Onde formos legalmente obrigados a disponibilizar chatbots de IA por meio da API do WhatsApp, estamos atualizando nossos termos e nosso modelo de preços para que possamos continuar a oferecer suporte a esses serviços.”

— Porta-voz do WhatsApp

Reação das empresas afetadas

A decisão pegou provedores de IA de surpresa e pode inviabilizar a operação de alguns no aplicativo.

Pablo Delgado, head de comunicação da Luzia (chatbot espanhol com 80 milhões de usuários), afirmou que os preços impostos “tornam inviável oferecer um serviço na escala em que a Luzia vinha operando”. Com isso, a empresa pretende migrar para outros canais, deixando o WhatsApp.

A Zapia também manifestou descontentamento. Juan Pablo Pereira, CEO da empresa, disse que não recebeu comunicação oficial da Meta e que, pelo entendimento da companhia, os preços não deveriam ser aplicados no Brasil.

Como funciona na prática

As mensagens de provedores de IA serão rotuladas internamente como “general_purpose_ai” e entrarão na categoria de cobrança. Já interações de empresas que utilizam IA em seus canais de atendimento serão classificadas como “AI_BOT” e permanecerão isentas.

Para se ter ideia dos valores: um pacote de 100 milhões de mensagens na categoria “utilidade” geraria uma fatura mensal de aproximadamente R$ 2,9 milhões para os provedores.

O que dizem Microsoft e OpenAI

Procuradas pela reportagem, a Microsoft (Copilot) informou que não comentaria o assunto. A OpenAI (ChatGPT) não respondeu até o fechamento desta matéria.

Resumo: o que muda para você?

· Conversas com amigos e familiares: continuam 100% gratuitas
· Atendimento com empresas: permanece sem custo para o usuário
· Chatbots de IA (ChatGPT, Copilot, Zapia, Luzia): provedores pagarão por mensagem; alguns podem sair do WhatsApp
· Impacto indireto: usuários podem perder acesso a esses serviços ou enfrentar modelos de assinatura para cobrir os custos

A decisão do Cade ainda pode ter novos desdobramentos, já que a investigação sobre conduta anticompetitiva da Meta continua em andamento. Enquanto isso, o mercado de assistentes virtuais no Brasil se prepara para uma reconfiguração.

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