A crise no sul da Bahia se aprofundou ainda mais nesta semana. O mercado do cacau, que já havia amargado quedas severas nos últimos meses, registrou mais um tombo histórico, acendendo todos os alertas entre os produtores da região.
O cenário é fruto de uma tempestade perfeita. De um lado, a chegada de dois navios carregados de cacau africano no Porto de Ilhéus inundou o mercado local com um volume expressivo de amêndoas. As importações, que em 2025 totalizaram 112,8 mil toneladas (70 mil só desembarcadas na Bahia), deixaram os armazéns cheios e os compradores escassos.
Do outro lado do Atlântico, os grandes produtores africanos reduziram o preço mínimo pago aos seus agricultores, barateando o produto no mercado internacional e facilitando o escoamento dos estoques. Enquanto isso, a demanda global enfraqueceu, com a indústria reduzindo a quantidade de cacau nos produtos e as moagens em queda na Costa do Marfim.
Para o produtor baiano, que há pouco mais de um ano comemorava a arroba sendo negociada a R$ 1.000, o pesadelo se tornou realidade. Sem poder de negociação e com a indústria abastecida pela África, a cotação simplesmente despencou para um valor que sequer cobre os custos de produção.
Nesta semana, o preço da arroba do cacau atingiu R$ 155,00, o menor patamar já registrado na história recente da commodity e um valor considerado inimaginável para quem vive da lavoura cacaueira no sul da Bahia.






